12 November 2008

ICDFYRHCP/15YO

Queria somente para ela palavras
-Sentia falta de si.
Juntava sempre letras no espaço:
G K ß ç N I

Palavras não são espelhos apenas para você.

Queria extrair o sentido das sílabas.
Reuni-las de cima para baixo
-Dava seus sentidos aos sons.
Construir por si mesma aquele mundo.

Queimou livros, velhos vinis e alguns de seus CD's.

Seqüestrou contrapontos e tríades
-detestava dissonância.
Pensava em rifes, compassos e terças
-Ouvia o que lhe fazia lembrar.
Por amor amordaçava autores.

Invadia galerias, sempre gilete à mão.

Saltou parecendo querer decolar
Sim, decolaria...
Deixou escrito no parapeito: "Corda e nó"
-era um sonho

Esqueceu da semiótica, da métrica e de rimas supérfluas

1 comment:

Confligerante said...

O moleque magrelo preto, e de braços tortos, olhar de quem nasceu em abril e que não podia ficar alvejando ao sol achou que para ser gente teria que estudar e escolheu biologia.
Mal sabia ele que para ser gente era preciso outra coisa, e essa ele já tinha. Mas teve que ser biólogo para perceber ou captar nas ondas radiofônicas da vida que se transitam fora de transistores nanicos ou nânocos.
Essa coisa era a poesia, pobre moleque preto magrelo e de braço torto. Estava na veia. Não tinha saída.