12 November 2008

ICDFYRHCP/15YO

Queria somente para ela palavras
-Sentia falta de si.
Juntava sempre letras no espaço:
G K ß ç N I

Palavras não são espelhos apenas para você.

Queria extrair o sentido das sílabas.
Reuni-las de cima para baixo
-Dava seus sentidos aos sons.
Construir por si mesma aquele mundo.

Queimou livros, velhos vinis e alguns de seus CD's.

Seqüestrou contrapontos e tríades
-detestava dissonância.
Pensava em rifes, compassos e terças
-Ouvia o que lhe fazia lembrar.
Por amor amordaçava autores.

Invadia galerias, sempre gilete à mão.

Saltou parecendo querer decolar
Sim, decolaria...
Deixou escrito no parapeito: "Corda e nó"
-era um sonho

Esqueceu da semiótica, da métrica e de rimas supérfluas

01 November 2008

25 October 2008

O Presente

Tarde Peculiar (espaço/tempo)^-1

Há dias em que respiro profundo,
Inalo lembranças.
De espaço-tempo distante
De lá, dos de lá
dos que ainda estão.

No vago de um ensaio de melancolia
teimo, relativizando-me, ainda respirar.
Condição de ser inacabadondo-se

Enquanto lá está Ela;
a fazer seus deliciosos bolos,
os biscoitos, doces, experimentações...
Como que para sustentar-me ereto
sem tombo, uma relação inversa?

"Há vagos respiros
"Profundas Lembranças
"De lá, condição ereta
"Revitalizam-me os bolos e biscoitos.
"Experimentações relativas, ainda por terminar

19 October 2008

Rosiana distorcida #1

Amigo, tentei de mais...
não é desistênça; continuação de atraso
De tanto mirar acerto passei a ser alvo
pensamento viciado amornece antes de esfriar.

O querer da vida, também, de certo, transforma
Se não, continua picado, repartido.
Se o pensamento depois das coisas não muda
é porque não tem que ser

Se não endurece, retêza
e vida passada de mais num dá ajeito
só costume.
Tudo é bão de mais pra quem gosto o tem.

17 July 2008

Catingueira=antipoiesis semiárida

Não se teme o calor, nem medo,
Tem-se penação, dia a dia.
Que não, nada. Terra não benta
D'onde até deus nem miúdo grado quis deixar

Terra de não ser.
Da janela se avista sofrido passado,
Pra presente não lembrar.
- Casa fechada, dor não se espalha.

A crença do pouco sabido,
rogar ao algoz milagre
Por penitência que a vida passara

-A garganta é seca meu pai.
A alma é seca.
Fé, artifício de imaginação
A terra padece.
-Cativo da terra com espinhos se acostuma.

Da miséria de quem vive,
ninguém gosta olhar, nada socorre.
Aqui é Mata Braba,
de seco, gosto morreu
E morte é só passagem de paisagem.

14 February 2008

Agonia (poesia amorfa) - Dos tempos das confusões

Quão rapidamente se dilui,
Quão profundo corte em carne azeda...
Quem (o que) você era?

Quão rapidamente se dilui...

Escorria em minhas têmporas
Causava-me suspiros
era o mal... divino...
um surto...

Embora com sequelas
-o corte lembra?- agora percebo
Que não era fino vinho
acre vinagre azedo,
que vomitava em minha boca

Quão rapidamente se dilui:
“Queria não tivesse vindo...
Quão profundo corte:
“Entalhava em mim seu gosto.
Quem (o que) você era:
“apenas mal grado delírio.
“a sedutora forma do diabo.

23 January 2008

O carteiro [Poesia descritiva do concreto e(às) letras]

Quanto tempo fazia que não passava por aqui!
Agora voltando encontro tudo empoeirado..
resolvi deixar então esta inspirado no distante amigo Jão:
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O que tinha na mente?
Não duvidava...
Anda ele todos os dias,
sacola nas costas.

La se vai multi-endereçado
todo dia, todo dia,
exceto sábados e domingos e feriados
Pode cantar, assobiar
Compõe(-se) em caminhada