14 November 2009

Monólogo curto

Irmão, a vida...
Irmão há vida!

03 November 2009

Campo (país do futebol)


Uma tarde bela
no campo de lá
onde por falta
usavam-se cabeças
bexigas e tripas
fedia carniça
mas a alegria
no campo fedido
campo lá
não faltava
comemorava-se
ganhassem
não ganhassem
mas a festa
festa mesmo
sempre tinha
fanfarrões
era a dos ratos
no campo decorado
vermelho sangue
branco sebo
quando as sete
falta de luz
a pelada acabava

08 September 2009

Prelúdio do tempo em si (Travesseiro de vento)/Conselhos de pronomes pessoais do caso oblíquo

I

Pensar, sobre a vida, o tempo, tudo que passa
tudo que tem, tudo que...
Olhar, um que nunca veio,
de mim, de ti para mim
Pensar como o vento que balança o galho
Pensar de um sol, daqueles que iluminam!

II

Fazer o que se constitui novo
que contrariamente põe abaixo,
O que derruba, derruba, derruba
O que derruba!(?)
Fazer sem concreto, de leve, de leveza
Como nuvens, nas nuvens, o canto do tico-tico
um fazer iluminado, ninado pela brisa
Um daqueles que por covardia ou medos prefere-se não fazer


III

Inspirar-se a si mesmo, auto-respiração
um auto-encontro, auto-poiesis
de uma vida descalça e de joelhos relepados, que não é mais caminhar
a vida que é de agora, irresponsável, traquinas, de um outro tempo viver.
fimcomeço

06 September 2009

Tutorial: Mude

$chmod 750 Vida.sh
$cd /casa
$mkdir tranquilidade
$cd tranquilidade
$mkdir campolimpo
$cd campolimpo
$mkdir cheirodemato
$move /casa/paranoia/cidade/pressão/tormentos/Vida.sh /casa/tranquilidade/campolimpo/cheirodemato/
$rm -rf /paranoia
$./Vida.sh /casa/tranquilidade/campolimpo/cheirodemato

29 August 2009

Palavra

é assim

é gosto

é asco


19 August 2009

Queria fazer como que por gosto
a tortura d'alma
como carne rompida na fratura
que com dor expõe o osso
pois sem morder os beiços, meu chapa
a crueldade é aperitivo

Gostaria também, por vaidade rara,
de lamber com língua doce as feridas,
costurar todos os cortes, um a um,
para dar-lhe desejo de cura
Porque sem gosto de bondade o mal desanda

Pois saiba, companheiro, que toda alma
por mais leve é peso
p'ra carne cansada do corpo carregar.
fimcomeço

15 August 2009

Ao acordar

Um momento derretido em meio ao fogo chama amanhã manha de manhã de brisa e sol amarelo luz escorre cabelos desfeitos pelo travesseiro lençóis por gravidade caem pelo chão de onde ela está cheiro misturado ao café recém coado
Leve de brinde: 6 vírgulas e 4 pontos finais!

13 August 2009

Sauda'dilá


A saudade de lá,
quando dá,é d'um gosto distante



A saudade distante,
de lá, quando dá,
é d'um gosto.

Gosto de lá, quando dá,
é d'um distante,
a saudade.

12 July 2009

Um dilema (Para plantas e seres afins)

Cansada da monotonia fotossintetizante
Salta, presto andante, a trepadeira na varanda
Arrisca-se contra a gravidade, agarrando-se ao cimento de um parapeito podre.
Tons não clorofilados, a vastidão de um mar pastel, sem contrastes!
-Plantas não enxergam, não vale o risco!
Dando-se conta recolhe insignificante a trepadeira do parapeito na varanda.

25 June 2009

Poiesis ϵ autopoiesis

Suas letras não explodem.
sons que representam sem, deveras, existir.
Não queira dar a elas suas toneladas desnecessárias,
letras são mais levesalegres quando não são,
quando deixam de ser.

Fluir pensamentos vagos, através do nada, navegantes.
extrair do peso do trovão a sutileza da luz
esquecer rimas e métrica, se esquecer
fazer uma descombinação insossa.
Desfazer-se!

Não queira a direção, dar sentido aos sentidos
Aliás, não queira nada, nada, assim é melhor!
Digite aleatoriamente, sorteie letras de um saco escuro,
escreva suas palavras ao acaso num canto de papel.
Depois tente combinar tudo isso,
análises combinatórias poderão lhe ajudar!
[(P!+ermo/x-tempo!)]/linda^2=
-funções de aleatorização,
Não se esqueça de recorrer aos jogos da TV -chougueimes-

A toda essa desordem essa desconstrução
nunca deixe de tratar do belo, do bucólico, por quê não(?)
do que azeda.
Talvez seja isso a poesia,talvez...
Uma tradução de nadas um sentido sem sentido,
porém leve, leve, leve!
Beleza e o bucolismo a azedar.

Para o amigo que descobriu o autoexorcismo por meio de letras

29 May 2009

De-ai

A timidez carrega uma brutalidade tectônica
a sagacidade de quem pouco aparece é uma arma poderosa, oculta.
A exposição medida incomoda, confunde.
Ataque versus ataque é força contra força, força em força.
Porém, uma delas desmedida.
fimcomeço

23 May 2009

Krzwtsch/15YO-II

De tanto apropriar de palavras queria, compulsivamente, tornar-se uma delas
Procurou por perfeitas separações de sílabas
-não queria quinas,
E embora adorasse a aerodinâmica das vogais, ficou com o arrasto das consoantes,
Krzwtsch

Descobria que as palavras em si são um nadazinho, sem matéria.
mesmo assim, gostava de desvendar sentidos, rir ou chorar
-queixava-se das noites mal dormidas
Descobrir era seu melhor remédio, curava-lhe a alma,
Remédio é palavra

Colecionava inspirações, de poetas a escritores, letristas
Gostava da combinação entre as alturas dos sons e as letras
-com que combinariam semínimas em lá?
Horas a fios em um solfejo inglório
A altura das palavras

Fez-se eterna, as ditas viram calor as impressas são copiáveis
Talvez melhor opção não teria ao ver que a vida vazava
- tangeu-lhe o verbo, ação
Restou um quarto vazio sem sentidos sem palavras
Suaves perfumes em uma folha de papel

Ela não sabia que as mais belas palavras viciam
Sequestram de nós os sentidos que antes queriam dar
-As palavras, Pequena, são só palavras!
O resto era/estava em ti.
Não há como nelas transformar

05 May 2009

27 April 2009

bashpoesia#1.sh

#!/bin/bash
echo .:se:. um choro lhe vem
variavel1="lembre-se dela"
echo "[Costuma chorar?]"
echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "n" && echo $variavel1 && exit

echo .:então:. pra não ficar triste
echo
echo .:faça:. lembrar...
echo
echo .:mas se:. a lembrança
variavel2="então alegre vou embora, adeus!"
echo "[Lembrar resolve?]"
echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "s" && echo $variavel2 && exit

echo não é para mim suficiente
echo
echo .:então:. para me satisfazer daquela ausência

variavel3="Me esbaldo com um belo copo de cachaça"
echo "[Saio dou uma volta]"
echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "s" && echo $variavel3 && exit

echo .:faço:. gritar você contra o vento
variavel4="não, prefiro aprisioná-la em pensamento"

echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "n" && echo $variavel4 && exit

echo .:mas se:. isso ainda não resolve
echo
echo .:e ainda:. chove no momento
echo .:então:. em desespero
echo .:faço:. atrevo engolir as gotas
echo
echo embora me desçam seco

.:::Link do arquivo:http://www.easy-share.com/1904792294/bashpoesia#1.sh:::.

Conseguirão rodar o script aqueles que possuem
sistema operacional Gnu/Linux
bastando para isso dar o comando
chmod +x bashpoesia#1.sh dentro do
diretório no qual o arquivo está,
então digite ./bashpoesia#1.sh .

16 April 2009

De um dia Confuso

... um sonho nos trouxe para longe, bem longe,
da terra boa, do modo da gente, dos Galdinos,
das irmãs e do irmão, dos irmãos,
da gorducha, do menino lindo magrelão;
temos saudades."

10 April 2009

8 deitado

que todas elas se fodam
fazem cinza
que se fodam
que morram
que ninguém
escute seu grito agonizante.


Chamem o padre
sua água benta mega-tônica
chamem pastores e ambulâncias
exorcismo de carne, pura matéria,
um açougue.
chamem o repórter mais eloquente
tragam charuto e tambor
seus santos para ajudar
o transeunte curioso, o polícia,
sacos de vômito podem ser úteis
tragam de tudo, seringas, radiofones e vitrolas
Rolos compressores e aquela dose de sacarmos
Uma alavanca que sustente o peso do mundo.

Convide todos seus deuses e espíritos;
a mesa está servida com as melhores bebidas!
Venha você e toda sua desumanidade
Não se esqueça de preconceitos!
Venha mais arrogante possível
Com todas as posses estampadas numa pose
E que todas se fodam!

Uma vida vagabunda, que mais importa?

Nesse universo sem fim e profundo
estamos sós a vagar.

fimcomeço

28 March 2009

Casa de Lu

Para aqueles que de longe chegam
boas vindas!
É assim casa de lá...,
das bandas do Mato a Dentro.
Canto p’ra descanso em pouso
onde nem pensamento, em pressa, chega.
Apea da alma peso.
Aqui é casa de brisa, de alegria leve,
casa de lá, de Lu.

Para os que passam e esquecem de dizer: “bão!”

19/08/2006

23 March 2009

NE-Influências de brisas

Quando se vê (,)
o mar (,) quando chove
é belo:
Uma fina linha escura longe, lá longe.

Quando sente calor,
o mar quando sol
ainda belo:
Ele transforma em azul.

Se paras a olhar mar
e perde de ti seu rumo
descontente, confuso, imundo
com âncora corrente e pernas
fundidos em um só substantivo
Contraia em espasmo!
Solfeje dor que lhe causa.
-Causa da dor é o grito?

Se te parece confusa vida
Pira-te neste instante segundo,
vomita o sal de volta ao mundo
que este mar por vez te trouxe.

"Nesse mar que lua nasce
se foi meu amor
Traz pra mim, oh mar, de volta
quem partiu e lá ficou"

14 February 2009

de um homem concreto

Se desfaz com o tempo,
embora, contraponto,
ao mesmo tempo enrijece,
constrói, seus segredos,
medos, desmedos
assim, desmedido,
desmede;
des, des, des!
Homem que na sombra vive
revive, vive?
Ao esquecer das cores,
cheiros, sabores,
toques, do sorriso,
da luz que a sombra faz,
ao se misturar, cada vez mais reto,
a bruta brita e cimento
torna-se cada vez mais
Concreto

19 January 2009

Pior

Tudo me dói
Da alma ao amor
Da ida a vinda.
Mas como pode dor existir?
A injúria é não física!
Dor que se cultiva no não transformado,
de fato,
Dor não doída na carne,
A pior delas, a pior delas...