23 May 2009

Krzwtsch/15YO-II

De tanto apropriar de palavras queria, compulsivamente, tornar-se uma delas
Procurou por perfeitas separações de sílabas
-não queria quinas,
E embora adorasse a aerodinâmica das vogais, ficou com o arrasto das consoantes,
Krzwtsch

Descobria que as palavras em si são um nadazinho, sem matéria.
mesmo assim, gostava de desvendar sentidos, rir ou chorar
-queixava-se das noites mal dormidas
Descobrir era seu melhor remédio, curava-lhe a alma,
Remédio é palavra

Colecionava inspirações, de poetas a escritores, letristas
Gostava da combinação entre as alturas dos sons e as letras
-com que combinariam semínimas em lá?
Horas a fios em um solfejo inglório
A altura das palavras

Fez-se eterna, as ditas viram calor as impressas são copiáveis
Talvez melhor opção não teria ao ver que a vida vazava
- tangeu-lhe o verbo, ação
Restou um quarto vazio sem sentidos sem palavras
Suaves perfumes em uma folha de papel

Ela não sabia que as mais belas palavras viciam
Sequestram de nós os sentidos que antes queriam dar
-As palavras, Pequena, são só palavras!
O resto era/estava em ti.
Não há como nelas transformar

2 comments:

sandra camurça said...

é isso aí, Galdino!
beijos

sandra camurça said...

ah, sim, bom saber que seu blogue é copyleft. gosto muito do creative commons.