28 July 2011

#001-A



Menina que exalava flores ...
Perdia-se sempre em noites.
-cheiro, giros, arrepio
*
Fazia pelo gosto de diminuir a velocidade da luz ,
de modular os sons das vozes que ouvia,
de criar os amigos quando lhe convinha...
e tinha uma sabedoria etílica das combinações que fazia
rimando anáguas com "hardcore" ao entornar do volume que a continha.
Para ela não colava a sinestesia, dominava a química das misturas heterogêneas
das cores mudas(,) dos holofotes baratos de um palco improvisado, seu show particular.
Procurava em um mundo interior um voo que a levasse,
não, não era nada de alma ou bagaço ,
apenas pensamentos abduzidos do qual lhe serviam pedaços de papel,
os tons das paredes de seu quarto pintava sua vida.
Por não temer a condenação da solidão
pagava o preço, mesmo que caro, do couvert da existência e,
embora não se sentisse bem com o cheiro de solventes,
sonhava com a distante Faculdade de Farmácia
ao dormir ninada pelo som de uma ventoinha empoeirada
Ah! Menina de perfumes e anéis benzênicos...

3 comments:

sandra camurça said...

Êêê, Poeta! Que Menina danada!Não ouvi ao som do Raul mas valeu!
Beijos

conradopreto said...

Essa daí era danada mesmo! Fico pensando se conseguiu ingressar no curso superior :) Um abração Sandra!

Madu said...

Gostei deste texto! Gostei dessa menina dependente sons e cheiros!