14 February 2009

de um homem concreto

Se desfaz com o tempo,
embora, contraponto,
ao mesmo tempo enrijece,
constrói, seus segredos,
medos, desmedos
assim, desmedido,
desmede;
des, des, des!
Homem que na sombra vive
revive, vive?
Ao esquecer das cores,
cheiros, sabores,
toques, do sorriso,
da luz que a sombra faz,
ao se misturar, cada vez mais reto,
a bruta brita e cimento
torna-se cada vez mais
Concreto

19 January 2009

Pior

Tudo me dói
Da alma ao amor
Da ida a vinda.
Mas como pode dor existir?
A injúria é não física!
Dor que se cultiva no não transformado,
de fato,
Dor não doída na carne,
A pior delas, a pior delas...

12 November 2008

ICDFYRHCP/15YO

Queria somente para ela palavras
-Sentia falta de si.
Juntava sempre letras no espaço:
G K ß ç N I

Palavras não são espelhos apenas para você.

Queria extrair o sentido das sílabas.
Reuni-las de cima para baixo
-Dava seus sentidos aos sons.
Construir por si mesma aquele mundo.

Queimou livros, velhos vinis e alguns de seus CD's.

Seqüestrou contrapontos e tríades
-detestava dissonância.
Pensava em rifes, compassos e terças
-Ouvia o que lhe fazia lembrar.
Por amor amordaçava autores.

Invadia galerias, sempre gilete à mão.

Saltou parecendo querer decolar
Sim, decolaria...
Deixou escrito no parapeito: "Corda e nó"
-era um sonho

Esqueceu da semiótica, da métrica e de rimas supérfluas

25 October 2008

O Presente

Tarde Peculiar (espaço/tempo)^-1

Há dias em que respiro profundo,
Inalo lembranças.
De espaço-tempo distante
De lá, dos de lá
dos que ainda estão.

No vago de um ensaio de melancolia
teimo, relativizando-me, ainda respirar.
Condição de ser inacabadondo-se

Enquanto lá está Ela;
a fazer seus deliciosos bolos,
os biscoitos, doces, experimentações...
Como que para sustentar-me ereto
sem tombo, uma relação inversa?

"Há vagos respiros
"Profundas Lembranças
"De lá, condição ereta
"Revitalizam-me os bolos e biscoitos.
"Experimentações relativas, ainda por terminar

19 October 2008

Rosiana distorcida #1

Amigo, tentei de mais...
não é desistênça; continuação de atraso
De tanto mirar acerto passei a ser alvo
pensamento viciado amornece antes de esfriar.

O querer da vida, também, de certo, transforma
Se não, continua picado, repartido.
Se o pensamento depois das coisas não muda
é porque não tem que ser

Se não endurece, retêza
e vida passada de mais num dá ajeito
só costume.
Tudo é bão de mais pra quem gosto o tem.

17 July 2008

Catingueira=antipoiesis semiárida

Não se teme o calor, nem medo,
Tem-se penação, dia a dia.
Que não, nada. Terra não benta
D'onde até deus nem miúdo grado quis deixar

Terra de não ser.
Da janela se avista sofrido passado,
Pra presente não lembrar.
- Casa fechada, dor não se espalha.

A crença do pouco sabido,
rogar ao algoz milagre
Por penitência que a vida passara

-A garganta é seca meu pai.
A alma é seca.
Fé, artifício de imaginação
A terra padece.
-Cativo da terra com espinhos se acostuma.

Da miséria de quem vive,
ninguém gosta olhar, nada socorre.
Aqui é Mata Braba,
de seco, gosto morreu
E morte é só passagem de paisagem.

14 February 2008

Agonia (poesia amorfa) - Dos tempos das confusões

Quão rapidamente se dilui,
Quão profundo corte em carne azeda...
Quem (o que) você era?

Quão rapidamente se dilui...

Escorria em minhas têmporas
Causava-me suspiros
era o mal... divino...
um surto...

Embora com sequelas
-o corte lembra?- agora percebo
Que não era fino vinho
acre vinagre azedo,
que vomitava em minha boca

Quão rapidamente se dilui:
“Queria não tivesse vindo...
Quão profundo corte:
“Entalhava em mim seu gosto.
Quem (o que) você era:
“apenas mal grado delírio.
“a sedutora forma do diabo.

23 January 2008

O carteiro [Poesia descritiva do concreto e(às) letras]

Quanto tempo fazia que não passava por aqui!
Agora voltando encontro tudo empoeirado..
resolvi deixar então esta inspirado no distante amigo Jão:
--------------------

O que tinha na mente?
Não duvidava...
Anda ele todos os dias,
sacola nas costas.

La se vai multi-endereçado
todo dia, todo dia,
exceto sábados e domingos e feriados
Pode cantar, assobiar
Compõe(-se) em caminhada

11 October 2007

Bytepoesis


[INÍCIO]Semespaçossemsonssemrisossemrimassemnadasóvaziosóamentetintaepapelummontedeletras
Cemespaçoscemsonscemsorrisoscemrimasnadasemsemvaziomaisquetintapapeleummontedeletras
Presençaausenciaumezerozeroeumumezerozeroeumumumzerozerozeroeum
00110001 00110000 00110000 00001101 00001010 00001101 00001010espaços +00110001 00110000 00110000 00001101 00001010 00001101 00001010sons+00110001 00110000 00110000 00001101 00001010 00001101 00001010sorrizos+00110001 00110000 00110000 00001101 00001010 00001101 00001010rimaspreenchemumvazio[SE ENTÃO = FIM]

20 September 2007

17 August 2007

Jogos


E as contas irão vencer novamente, mesmo que sem os vencimentos!
Na verdade, de um tempo pra cá estão invictas.
-falta aquele velho e bom espírito esportivo.
Dêem, logo, as medalhas a elas!
(Lá vem uma toalha no ar).

20 July 2007

Rosa e o mar

Tarde era para chorar,
enquanto ele escrevia
Sentia ainda cheiro de Rosa...
- rimava Mar ia...

11 June 2007

Poesia Adolescente

No Japão, suicídio
Aqui uma risada sarcástica,
um copo de uísque na mão,
deboches,
sem a mínima pretensão suicida.

Na Alemanha, manifestações nada pacíficas
Aqui uma passividade que pasma, nada muda.
Uma sensação de aconchego...
Até que um menino é arrastado.
Lágrimas, subseqüente esquecimento, aconchego.

Na Argentina adoram livros
Aqui, mal se consegue ler o próprio nome
Não há mal que a Tv não cure! Lêem-se legendas
Enquanto os homens de farras, com suas prostitutas, negociam elevado capital.
Nasce a massa.

Tres vivas a este chiqueiro Orwelliano
Viva, viva e viva!

16 May 2007

Doce

Cozinhe minha alma, mande-a ao inferno(,)
nesse fogo de tuas entranhas
Provoque o pecador, o pecado, sangra-lhe a carne,
suga-lhe o sangue
Mostre seus lábios, ofereça o beijo,
arranca-lhe a língua

Causa-me o desejo, toma-me o doce
“Quem sou eu frente a esse demônio?

04 April 2007

04/04


Pessoal, me desculpem, mas hoje eu me permito:

-Shine on you crazy diamond"
-Who was only a stranger at home
-But you believe at heart everyone's a killer
-Just another sad old man all alone and dying of cancer
-Did they expect us to treat them with any respect?
-There is someone in my head but is not me!
-I See you on the dark side of the moon
-And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.


Do you Ubuntu?

15 March 2007

Polis Confusão

Entrando em minha página personalizada do Google me deparo com a seguinte manchete do joranal Gazeta do Sul: “Collor estréia hoje no Senado e questiona impeachment” (http://www.gazetadosul.com.br/default.php?arquivo=_ultimas.php&intIdUltimaNoticia=41645). Em meio ao texto surge um trecho, que se fosse lido em 1989 causaria certa estranheza:
“Integrante da base governista de Lula, Collor é só elogios ao presidente, seu adversário na disputa de 1989. “Se eu batesse no Lula, estaria contrariando parcela do meu eleitorado. Mas estou apoiando Lula porque tenho convicção de que está realizando um bom governo. Os números da economia e da área social falam por si. O presidente Lula tem apoio da parcela mais sofrida da população e tem também o apoio e respeito das elites, apoio este que eu não tive durante meu governo.””

Os mais fervorosos defensores tentariam me explicar o acontecido como sendo uma manobra necessária para garantir a governabilidade, como se essa fosse a única forma de realmente garanti-la. Fato é que dá pra ficar louco, com a massa cinzenta misturada na cabeça como se fosse uma boa vitamina de abacates ao tentar entender os processos políticos...
Claro que hoje não é mais 1989! Os tempos mudam os homens mudam e seus ideais são diluídos em concentrações inferiores a 0,00001%. Lula, o ex-esquerdista, conta agora com o apoio de Fernando Collor que não tem nada de “ex”. ]

Tudo bem, não vou tentar entender mais nada, desisto! Prefiro acreditar naquilo que dizem os fervorosos, aqueles que antes vestiam suas camisas com a estampa de Che: No atual contexto loucos mesmo são Hugo Chávez e Heloisa Elena.

05 March 2007

Àtoa


Um dia chega ela
fingindo ser descoladinha
e estranha a reação:
sem motivo tomo um trago que me arranha a garganta.
-Somos pequenas partículas no interminável universo,
frutos do acaso.

Se não há razão para existir, menina,
tudo é àtoa!

14 February 2007

Carta 01

Com a teimosia dos ventos ao seu lado caminha para a distante terra.
A brisa sopra também seus pensamentos, mas não acalma.
O sol agora alto, companheiro, insiste em aquecer teus giros
Que quase em pane param enquanto, passo a passo, segues.

Não trouxe sossego à alma aquele alento, tampouco o beijo, o abraço.
Achou que te acompanharia em pensamento,
que embora longínquo ficasse lhe aqueceria o peito.
Mas foi intensa combustão em substrato escasso.

Esqueça desse sol nefasto, desta torpe brisa,
daquelas curvas, daquele cheiro...
Do tropeço, do calo, da ferida.
Daquilo que lhe acaba a vida!


Carta ao amigo que agora parte

  há um longuíssimo tempo entre uma faísca de pensamento e o momento  do qual, agora, relembro Salve Jão.