12 July 2009

Um dilema (Para plantas e seres afins)

Cansada da monotonia fotossintetizante
Salta, presto andante, a trepadeira na varanda
Arrisca-se contra a gravidade, agarrando-se ao cimento de um parapeito podre.
Tons não clorofilados, a vastidão de um mar pastel, sem contrastes!
-Plantas não enxergam, não vale o risco!
Dando-se conta recolhe insignificante a trepadeira do parapeito na varanda.

25 June 2009

Poiesis ϵ autopoiesis

Suas letras não explodem.
sons que representam sem, deveras, existir.
Não queira dar a elas suas toneladas desnecessárias,
letras são mais levesalegres quando não são,
quando deixam de ser.

Fluir pensamentos vagos, através do nada, navegantes.
extrair do peso do trovão a sutileza da luz
esquecer rimas e métrica, se esquecer
fazer uma descombinação insossa.
Desfazer-se!

Não queira a direção, dar sentido aos sentidos
Aliás, não queira nada, nada, assim é melhor!
Digite aleatoriamente, sorteie letras de um saco escuro,
escreva suas palavras ao acaso num canto de papel.
Depois tente combinar tudo isso,
análises combinatórias poderão lhe ajudar!
[(P!+ermo/x-tempo!)]/linda^2=
-funções de aleatorização,
Não se esqueça de recorrer aos jogos da TV -chougueimes-

A toda essa desordem essa desconstrução
nunca deixe de tratar do belo, do bucólico, por quê não(?)
do que azeda.
Talvez seja isso a poesia,talvez...
Uma tradução de nadas um sentido sem sentido,
porém leve, leve, leve!
Beleza e o bucolismo a azedar.

Para o amigo que descobriu o autoexorcismo por meio de letras

29 May 2009

De-ai

A timidez carrega uma brutalidade tectônica
a sagacidade de quem pouco aparece é uma arma poderosa, oculta.
A exposição medida incomoda, confunde.
Ataque versus ataque é força contra força, força em força.
Porém, uma delas desmedida.
fimcomeço

23 May 2009

Krzwtsch/15YO-II

De tanto apropriar de palavras queria, compulsivamente, tornar-se uma delas
Procurou por perfeitas separações de sílabas
-não queria quinas,
E embora adorasse a aerodinâmica das vogais, ficou com o arrasto das consoantes,
Krzwtsch

Descobria que as palavras em si são um nadazinho, sem matéria.
mesmo assim, gostava de desvendar sentidos, rir ou chorar
-queixava-se das noites mal dormidas
Descobrir era seu melhor remédio, curava-lhe a alma,
Remédio é palavra

Colecionava inspirações, de poetas a escritores, letristas
Gostava da combinação entre as alturas dos sons e as letras
-com que combinariam semínimas em lá?
Horas a fios em um solfejo inglório
A altura das palavras

Fez-se eterna, as ditas viram calor as impressas são copiáveis
Talvez melhor opção não teria ao ver que a vida vazava
- tangeu-lhe o verbo, ação
Restou um quarto vazio sem sentidos sem palavras
Suaves perfumes em uma folha de papel

Ela não sabia que as mais belas palavras viciam
Sequestram de nós os sentidos que antes queriam dar
-As palavras, Pequena, são só palavras!
O resto era/estava em ti.
Não há como nelas transformar

27 April 2009

bashpoesia#1.sh

#!/bin/bash
echo .:se:. um choro lhe vem
variavel1="lembre-se dela"
echo "[Costuma chorar?]"
echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "n" && echo $variavel1 && exit

echo .:então:. pra não ficar triste
echo
echo .:faça:. lembrar...
echo
echo .:mas se:. a lembrança
variavel2="então alegre vou embora, adeus!"
echo "[Lembrar resolve?]"
echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "s" && echo $variavel2 && exit

echo não é para mim suficiente
echo
echo .:então:. para me satisfazer daquela ausência

variavel3="Me esbaldo com um belo copo de cachaça"
echo "[Saio dou uma volta]"
echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "s" && echo $variavel3 && exit

echo .:faço:. gritar você contra o vento
variavel4="não, prefiro aprisioná-la em pensamento"

echo "sim (s) não (n)"
read RESPOSTA
test "$RESPOSTA" = "n" && echo $variavel4 && exit

echo .:mas se:. isso ainda não resolve
echo
echo .:e ainda:. chove no momento
echo .:então:. em desespero
echo .:faço:. atrevo engolir as gotas
echo
echo embora me desçam seco

.:::Link do arquivo:http://www.easy-share.com/1904792294/bashpoesia#1.sh:::.

Conseguirão rodar o script aqueles que possuem
sistema operacional Gnu/Linux
bastando para isso dar o comando
chmod +x bashpoesia#1.sh dentro do
diretório no qual o arquivo está,
então digite ./bashpoesia#1.sh .

16 April 2009

De um dia Confuso

... um sonho nos trouxe para longe, bem longe,
da terra boa, do modo da gente, dos Galdinos,
das irmãs e do irmão, dos irmãos,
da gorducha, do menino lindo magrelão;
temos saudades."

10 April 2009

8 deitado

que todas elas se fodam
fazem cinza
que se fodam
que morram
que ninguém
escute seu grito agonizante.


Chamem o padre
sua água benta mega-tônica
chamem pastores e ambulâncias
exorcismo de carne, pura matéria,
um açougue.
chamem o repórter mais eloquente
tragam charuto e tambor
seus santos para ajudar
o transeunte curioso, o polícia,
sacos de vômito podem ser úteis
tragam de tudo, seringas, radiofones e vitrolas
Rolos compressores e aquela dose de sacarmos
Uma alavanca que sustente o peso do mundo.

Convide todos seus deuses e espíritos;
a mesa está servida com as melhores bebidas!
Venha você e toda sua desumanidade
Não se esqueça de preconceitos!
Venha mais arrogante possível
Com todas as posses estampadas numa pose
E que todas se fodam!

Uma vida vagabunda, que mais importa?

Nesse universo sem fim e profundo
estamos sós a vagar.

fimcomeço

28 March 2009

Casa de Lu

Para aqueles que de longe chegam
boas vindas!
É assim casa de lá...,
das bandas do Mato a Dentro.
Canto p’ra descanso em pouso
onde nem pensamento, em pressa, chega.
Apea da alma peso.
Aqui é casa de brisa, de alegria leve,
casa de lá, de Lu.

Para os que passam e esquecem de dizer: “bão!”

19/08/2006

23 March 2009

NE-Influências de brisas

Quando se vê (,)
o mar (,) quando chove
é belo:
Uma fina linha escura longe, lá longe.

Quando sente calor,
o mar quando sol
ainda belo:
Ele transforma em azul.

Se paras a olhar mar
e perde de ti seu rumo
descontente, confuso, imundo
com âncora corrente e pernas
fundidos em um só substantivo
Contraia em espasmo!
Solfeje dor que lhe causa.
-Causa da dor é o grito?

Se te parece confusa vida
Pira-te neste instante segundo,
vomita o sal de volta ao mundo
que este mar por vez te trouxe.

"Nesse mar que lua nasce
se foi meu amor
Traz pra mim, oh mar, de volta
quem partiu e lá ficou"

14 February 2009

de um homem concreto

Se desfaz com o tempo,
embora, contraponto,
ao mesmo tempo enrijece,
constrói, seus segredos,
medos, desmedos
assim, desmedido,
desmede;
des, des, des!
Homem que na sombra vive
revive, vive?
Ao esquecer das cores,
cheiros, sabores,
toques, do sorriso,
da luz que a sombra faz,
ao se misturar, cada vez mais reto,
a bruta brita e cimento
torna-se cada vez mais
Concreto

19 January 2009

Pior

Tudo me dói
Da alma ao amor
Da ida a vinda.
Mas como pode dor existir?
A injúria é não física!
Dor que se cultiva no não transformado,
de fato,
Dor não doída na carne,
A pior delas, a pior delas...

12 November 2008

ICDFYRHCP/15YO

Queria somente para ela palavras
-Sentia falta de si.
Juntava sempre letras no espaço:
G K ß ç N I

Palavras não são espelhos apenas para você.

Queria extrair o sentido das sílabas.
Reuni-las de cima para baixo
-Dava seus sentidos aos sons.
Construir por si mesma aquele mundo.

Queimou livros, velhos vinis e alguns de seus CD's.

Seqüestrou contrapontos e tríades
-detestava dissonância.
Pensava em rifes, compassos e terças
-Ouvia o que lhe fazia lembrar.
Por amor amordaçava autores.

Invadia galerias, sempre gilete à mão.

Saltou parecendo querer decolar
Sim, decolaria...
Deixou escrito no parapeito: "Corda e nó"
-era um sonho

Esqueceu da semiótica, da métrica e de rimas supérfluas

25 October 2008

O Presente

Tarde Peculiar (espaço/tempo)^-1

Há dias em que respiro profundo,
Inalo lembranças.
De espaço-tempo distante
De lá, dos de lá
dos que ainda estão.

No vago de um ensaio de melancolia
teimo, relativizando-me, ainda respirar.
Condição de ser inacabadondo-se

Enquanto lá está Ela;
a fazer seus deliciosos bolos,
os biscoitos, doces, experimentações...
Como que para sustentar-me ereto
sem tombo, uma relação inversa?

"Há vagos respiros
"Profundas Lembranças
"De lá, condição ereta
"Revitalizam-me os bolos e biscoitos.
"Experimentações relativas, ainda por terminar

19 October 2008

Rosiana distorcida #1

Amigo, tentei de mais...
não é desistênça; continuação de atraso
De tanto mirar acerto passei a ser alvo
pensamento viciado amornece antes de esfriar.

O querer da vida, também, de certo, transforma
Se não, continua picado, repartido.
Se o pensamento depois das coisas não muda
é porque não tem que ser

Se não endurece, retêza
e vida passada de mais num dá ajeito
só costume.
Tudo é bão de mais pra quem gosto o tem.

17 July 2008

Catingueira=antipoiesis semiárida

Não se teme o calor, nem medo,
Tem-se penação, dia a dia.
Que não, nada. Terra não benta
D'onde até deus nem miúdo grado quis deixar

Terra de não ser.
Da janela se avista sofrido passado,
Pra presente não lembrar.
- Casa fechada, dor não se espalha.

A crença do pouco sabido,
rogar ao algoz milagre
Por penitência que a vida passara

-A garganta é seca meu pai.
A alma é seca.
Fé, artifício de imaginação
A terra padece.
-Cativo da terra com espinhos se acostuma.

Da miséria de quem vive,
ninguém gosta olhar, nada socorre.
Aqui é Mata Braba,
de seco, gosto morreu
E morte é só passagem de paisagem.

14 February 2008

Agonia (poesia amorfa) - Dos tempos das confusões

Quão rapidamente se dilui,
Quão profundo corte em carne azeda...
Quem (o que) você era?

Quão rapidamente se dilui...

Escorria em minhas têmporas
Causava-me suspiros
era o mal... divino...
um surto...

Embora com sequelas
-o corte lembra?- agora percebo
Que não era fino vinho
acre vinagre azedo,
que vomitava em minha boca

Quão rapidamente se dilui:
“Queria não tivesse vindo...
Quão profundo corte:
“Entalhava em mim seu gosto.
Quem (o que) você era:
“apenas mal grado delírio.
“a sedutora forma do diabo.

23 January 2008

O carteiro [Poesia descritiva do concreto e(às) letras]

Quanto tempo fazia que não passava por aqui!
Agora voltando encontro tudo empoeirado..
resolvi deixar então esta inspirado no distante amigo Jão:
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O que tinha na mente?
Não duvidava...
Anda ele todos os dias,
sacola nas costas.

La se vai multi-endereçado
todo dia, todo dia,
exceto sábados e domingos e feriados
Pode cantar, assobiar
Compõe(-se) em caminhada

  há um longuíssimo tempo entre uma faísca de pensamento e o momento  do qual, agora, relembro Salve Jão.